MWC14: internet para todos?

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Poucos dias depois de comprar o WhatsApp por 16/19 mil milhões de dólares, Mark Zuckerberg foi a Barcelona falar do Internet.org, a iniciativa com que quer colocar online aos dois terços da população mundial que hoje ainda está offline.

Zuckerberg salientou a importância do Internet.org no futuro próximo, sem nunca esconder que ele é um meio de para o Facebook de crescer. A rede social tem hoje 1,2 mil milhões de utilizadores e não consegue ter mais pois não há muito mais gente conectada à Internet. Com o Internet.org, Zuckerberg quer mudar isso, colocando um serviço básico e gratuito de Internet nas mãos das sete mil milhões de pessoas do Mundo inteiro.

É uma meta ambiciosa, sem dúvida, mas Zuckerberg vê-la como um 112 para a Internet. No fundo, quando ligamos o 112, podemos pedir ajuda aos bombeiros, aos médicos ou à polícia, por exemplo; tudo serviços básicos e gratuitos. A ideia é, então, criar também um serviço essencial de Internet, que inclua pesquisa, Wikipedia, Facebook e outras redes sociais, WhatsApp e outras apps de messanging, serviços bancários, entre outros. O objetivo é que os utilizadores dos países mais pobres consigam aceder também à Internet sem gastar dinheiro, ou gastando muito pouco.

Zuckerberg está tão confiante neste modelo que está mesmo disposto a perder dinheiro como empresa (Facebook) para o levar adiante. É lógico que Mark tem na cabeça os milhões que poderá facturar com as sete mil milhões de pessoas do Mundo inteiro ligadas ao Facebook, mas preferiu não comentar isso.

Comentou, sim, a aquisição recente do WhatsApp. Salientou o facto de ter 450 milhões de utilizadores e de ser um contributo futuro para a concretização das metas do Internet.org. Por último, Mark Zuckerberg afirmou ter desistido do Snapchat.

A internet acessível foi um tema omnipresente em todo o congresso. Na verdade, vimos ser apresentados smartphones destinados aos mercados mais desfavorecidos, por um lado, e sistemas operativos a equipar esses aparelhos com as funcionalidades básicas (como search, redes sociais, música, messaging…).

Em concreto, falamos dos Nokia X, 3 modelos que a Nokia revelou com sistema operativo Android. Os telemóveis estão equipados com os serviços Microsoft e Nokia, não com os da Google; e têm como alvo os mercados low-cost. Também nestes mercados competirá o Firefox OS, um sistema operativo baseado inteiramente em HTML5 e CSS3 que equipa aparelhos ZTE, LG… com especificações muito baixas.

Sejam os Nokia X, sejam os smartphones com Firefox OS, os mercados mais baratos parecem ser os novos targets das fabricantes. Na verdade, a penetração de smartphones nos outros mercados (os mais altos) já é elevada, sem muito por onde crescer. A oferta actual é suficiente. O mercado mais baixo surge, então, como uma nova oportunidade, visto os níveis de penetração serem baixos ou quase nulos.

A verdade é que a comercialização de aparelhos básicos a preços baixos permitirá a massificação do acesso à internet, ajudando Zuckerberg a comcretizar o Internet.org. Fica a faltar, segundo o fundador do Facebook, a redução dos custos associados à entrega dos dados e a redução dos dados necessários. Mas parecem já existirem progressos neste último campo. Zuckerberg destacou, por exemplo, o trabalho do Facebook em reduzir a quantidade de dados consumidos pela app mobile, poupando assim recursos financeiros às populações.

Em suma, tudo parece estar a caminhar para um Mundo conectado, em que o consumo de dados seja reduzido por parte das apps, e em que os dados custem pouco para o utilizador final.